Artroscopia do Quadril

Esta provavelmente foi a área da Cirurgia do Quadril que apresentou a maior e mais expressiva evolução nos últimos anos.

O termo artroscopia se refere a uma técnica cirúrgica, ao ato de “olhar a articulação”. É um método, um meio de se realizar um tratamento. Permite a realização de diferentes procedimentos na articulação ou próximo a ela.

Isto é possível através do uso de micro-câmeras e instrumentos especiais, de pequeno calibre, que nos dão acesso ao interior das articulações sem a necessidade dos acessos cirúrgicos das cirurgias tradicionais.

Na artroscopia usamos incisões cutâneas de cerca de um centímetro cada, em números variáveis – geralmente de 2 a 4 acessos.

O que pode ser tratado pela artroscopia do quadril?

As indicações mais freqüentes são:

– Impacto Fêmoro-Acetabular: para remodelação óssea e cartilaginosa (osteocondroplastia).

– Lesões do Labrum acetabular: para sua ressecção ou reinserção ao leito ósseo com o uso de âncoras.

Outras indicações incluem:

– Quadril em Ressalto (Snapping hip).

– Retirada de corpos livres ou corpos estranhos da articulação.

– Reparo de lesões dos tendões glúteos e síndrome da dor  lateral do quadril.

– Tratamento de lesões cartilaginosas traumáticas e atraumáticas.

– Lesões do ligamento redondo.

– Osteocondrite dissecante.

– Sinovectomia: para artrite reumatóide ou sinovite vilonodular.

– Síndrome da dor glútea profunda ou síndrome do piriforme: para  liberação do nervo ciático.

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– Algumas seqüelas de patologias pediátricas, como Legg-Perthes: para remoção de   corpos livres ou condroplastia.

– Biópsias.

No link “Informações” você encontrará mais detalhes sobre estas patologias.

Meu caso pode ser tratado por artroscopia?

Através da avaliação clínica e de exames de imagem podemos definir quem se beneficiará ou não com este tipo de tratamento.

Embora esta cirurgia seja extremamente versátil, nem todas as lesões do quadril podem ser tratadas desta forma.

Casos de alterações morfológicas maiores, displasia do quadril e artrose, por exemplo, provavelmente serão melhor tratados através da cirurgia convencional, quando indicada.

Embora o senso comum seja de que a artroscopia é “melhor e mais moderna”, nem sempre isso é verdade. Cada caso tem sua indicação. Em alguns casos a cirurgia tradicional poderá trazer mais benefícios.

A indicação de tratamento deve ser decidida caso-a-caso.

Como é a cirurgia?

A cirurgia pode ser realizada com anestesia raquidiana e sedação ou sob anestesia geral.

Para obtermos acesso à articulação do quadril é necessário o uso de uma mesa ortopédica de tração, sob anestesia, criando espaço na articulação para a inserção de óticas e instrumentos, como na imagem acima.

Além do material de vídeo também usamos um aparelho de radioscopia, que é uma espécie de radiografia “ao vivo”. Veja na imagem abaixo a imagem do quadril já tracionado, e uma agulha usada para iniciar o acesso à articulação perfurando a cápsula articular.

Após confeccionarmos os portais de acesso introduzimos a micro-câmera e podemos utilizar uma grande variedade de pinças para correção das lesões, suturas, raspagens, micro perfurações, etc.

O instrumental usado em artroscopia do quadril é específico para esta cirurgia, sendo mais longo do que o material tradicionalmente usado para joelho e ombro, por exemplo.

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Dispomos também de instrumentais flexíveis, que podem desviar da cabeça femoral e aumentar nosso alcance dentro da articulação, porém, o formato e localização do quadril impõe um limite natural ao alcance dos instrumentos.

Quais são os riscos?

Como em todo procedimento cirúrgico existem riscos envolvidos.

Além dos riscos “gerais” como: risco anestésico e infecção também existem riscos específicos do tratamento artroscópico, principalmente parestesias (alteração de sensibilidade) na região inguinal ou problemas cutâneos, entre outros. A evolução da técnica e dos materiais felizmente tem tornado estes problemas cada vez mais raros.

Além disto, como em toda cirurgia endoscópica, sempre pode haver a necessidade de conversão para cirurgia tradicional (a “céu aberto”).

Como é a recuperação após a cirurgia?

De acordo com a gravidade da lesão e o tratamento instituído são iniciados protocolos específicos de fisioterapia. O uso de muletas é necessário por duas a seis semanas e o retorno aos esportes é permitido de acordo com o tipo de lesão, o tipo de esporte e a recuperação individual. A recuperação final pode levar de seis meses a um ano.

Normalmente é necessário o internamento hospitalar por um dia para recuperação pós-anestésica e o período pós-operatório geralmente é pouco doloroso.

Nunca mais vou ter dor no quadril? Posso voltar aos esportes?

Estatisticamente até 80% dos pacientes conseguem retomar suas atividades esportivas com alívio pelo menos parcial dos sintomas.

Na prática, cada caso é diferente. Dependendo do problema que você tinha em seu quadril, a artroscopia pode ser apenas paliativa, na tentativa de preservar sua articulação. Em algumas situações pode ser mais prudente abandonar definitivamente os esportes de impacto.

Eventualmente os sintomas podem permanecer ou voltar a aparecer após algum tempo. Você deve se informar sobre os detalhes do seu caso com seu cirurgião.

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Em nossa prática, observamos os melhores resultados naqueles pacientes que obtiveram um diagnóstico mais precoce e nas lesões pequenas, sem comprometimento de cartilagem.

Por este motivo você não deve negligenciar seus sintomas, em caso de dor na virilha ou quadril sempre procure um ortopedista.

“A artroscopia de quadril é uma técnica já consolidada. Seus avanços possibilitaram um tratamento menos invasivo em várias situações, mas ainda não em todas elas. É importante entender suas limitações e a limitação da ciência atual no tratamento das lesões cartilaginosas mais graves. A satisfação com um procedimento artroscópico virá de uma boa indicação e de expectativas realistas em relação aos seus possíveis resultados” – opinião pessoal – Dr. Thiago S. Busato.

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